Segundo a Fenabrave (Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores), as vendas de carros aumentaram. Nos primeiros dias do ano o total de automóveis e veículos comerciais leves emplacados chegou a 94.547 unidades (79.477 carros e 15.070 comercias leves), contra 86.619 do mesmo período de dezembro de 2008, representando assim um aumento de 9,15% referente à dezembro de 2008 e uma redução de apenas 1,2% à janeiro de 2008. Não quero fazer apologia ao Lula (e até mesmo os mais radicais oposicionistas ao governo, no caso o PSTU, já disseram através de carta da Conlutas ao Lula que concorda com o presidente que as montadoras não tem motivo para demitir), mas vejam: de fato, a desculpa da crise financeira não legitima a demissão em massa que tem ocorrido, e não somente no Brasil, mas em diversos outros países, inclusive na Europa, como no caso das demissões espanholas e francesas nesta semana.
Uma característica marcante desta “crise” financeira, é que temos visto muitos trabalhadores sofrendo com ela. Mas ainda não vi nenhum grande empresário passando necessidade. Fusões de grandes bancos, empresas bilionárias demitindo à vontade graças ao terrorismo causado pela crise, e os esforços da rede globo em fazer a população ter dó das empresas que fecham, como no caso da Fontini. E presidentes e personalidades intelectuais dizendo “a população precisa comprar se não ai sim a crise vai acontecer”. Uai! A culpa é dos pobres agora? Que estão comendo e comprando muito pouco? Mais uma vez, a culpa sobra justamente para quem não tem condição… e depois ainda culpam os pobres de serem pobres porque querem…
Dia 9 de janeiro de 2009. Manifestação de protesto em Curitiba contra os ataques de Israel à Faixa de Gaza, iniciados no dia 27 de dezembro de 2008.
A guerra continua, mesmo após a divulgação de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, ontem, dia 8, por um “imediato e durável” cessar-fogo no conflito entre Israel e a Faixa de Gaza.
A resolução prevê, além do cessar-fogo, a retirada completa das forças israelenses do território palestino e o fornecimento desimpedido de assistência humanitária para o povo da região (cerca de 1,5 milhão de pessoas). No entanto, com a abstenção dos EUA, a resolução parece não ter surtido nenhum efeito.
A justificativa de Israel para o ataque seria o lançamento de foguetes em seu território, pela organização palestina Hamas, tida como terrorista. Já do lado palestino, o argumento é que os foguetes foram uma forma de resistir a um bloqueio de 15 meses por parte de Israel à Faixa de Gaza, que teria resultado na falta de alimentos, remédios, entre outros produtos básicos, para os palestinos. O número de mortos no conflito já passa de 770.
Em Curitiba, uma manifestação autodeclarada pacífica, foi uma tentativa da comunidade árabe da cidade mobilizar a opinião pública a favor do cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e declarar sua insatisfação com Israel.
O protesto teve início às 11 horas da manhã, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná. O grupo de manifestantes, formado por aproximadamente 150 pessoas, atravessou o Centro da cidade pela rua XV de Novembro e se dispersou em frente à Boca Maldita. Nesse local, agora há uma tenda para o recolhimento de assinaturas a favor da causa palestina e murais com fotografias do drama dos feridos e mortos em Gaza, com imagens bastante pesadas.
A manifestação contou com apoio político de diversas entidades, que participaram do protesto com suas bandeiras, entre elas: PCB (Partido Comunista Brasileiro), PSOL (Partido Socialismo e Liberdade), PH (Partido Humanista) e PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).
A verdade é que, de uma forma geral, as pessoas ao redor pareciam compreender “mais ou menos” do que se tratava a manifestação, mas nem por isso os vendedores de crédito com pranchetas e os pregadores evangélicos mudaram seus planos em apoio ao grupo de protesto.
Palavras como Fascismo, Nazismo, Bush, genocídio, guerra, paz, violência e semitismo estavam em faixas, panfletos e na boca dos que praguejavam contra o conflito.
Desde o início foi possível verificar a cautela por parte dos organizadores da manifestação para não passar uma imagem de ódio ou revolta radical. Antes do início da passeata, um dos primeiros informes dados pelo carro de som era de que não se deveria falar em “morte”, porque a manifestação era pacífica… Uns dois minutos depois, um senhor tomou o microfone e iniciou um discurso inflamado de alguns segundos. No exato momento em que ele ia pronunciar a frase “Morte a Israel”, o som do microfone foi cortado. Só ouviram os que estavam mais próximos – como eu, por exemplo. Só os representantes das entidades poderiam falar no microfone, e foi assim a partir de então.
A situação entre Israel e a Palestina não se resolve com um simples acordo, mas a mensagem de paz que foi passada hoje tem seu valor. O depoimento amargurado de um manifestante alimentam a reflexão sobre o assunto:
No próximo sábado, dia 12 de janeiro, às 14 horas, acontece uma Plenária para dar continuidade às discussões, na sede do APP Sindicato, que fica no 14º andar do Edifício ASA, na rua Voluntário da Pátria, 475. Também acaba de ser criado o Comitê Árabe Brasileiro de Solidariedade, responsável pela passeata, pelo recolhimento de assinaturas e pela exposição de fotos na rua XV.
Não, não.. não sou palestina, sou brasileira, muçulmana e moro no Egito!
Mas acho que esta bem na hora de iniciarmos um movimento para libertarmos o povo palestino do sofrimento a eles imposto desde 14 de Maio de 1948. O dia em que a terra deles foi tomada a forca, e eles viraram reféns em sua própria terra. Por aproximadamente 50 anos, judeus diziam: Encontraremos-nos em Jerusalém! Esse era o lema, a educação, o sonho de um Estado Judeu. Detalhe esquecido – Estado constituído na “casa de outros” – a PALESTINA!
Não sou anti-Israelitas, sou contra o que eles estão fazendo em nome de uma possessão ilegítima de uma terra que não os pertence.
Desde a ocupação judia, os muçulmanos que originalmente ocupavam a palestina fugiram desesperados, tamanha a ferocidade dos judeus em garantir seu recém ocupado território! À custa das vidas dos mortos em tantas guerras contra paises árabes que se opuseram a essa vilipendiam!
Acho que talvez possamos classificar isso como uma espécie de retaliação judia às avessas – nos moldes do que o nazismo causou aos judeos! E ISSO ENTAO?????? OS ISRAELITAS SAO OS NAZISTAS MODERNOS?????
Tudo leva a crer que sim, pois os ataques a Faixa de Gaza, em nome do extermínio do Grupo Hamas, ate agora, matou muito mais civis inocentes do que militantes do Hamas. Onde estão os mortos do Hamas?? Matam-se centenas para poder atingir 3 ou 4 Lideres do Movimento?
E uma guerra de um lado só, o Nazismo Moderno, disfarçado de Sionismo, que visa proteger um absurdo legado deixado pelo Reino Unido, que agora nada faz para amenizar o sofrimento de um povo que condenou ao Exílio em sua própria terra.
Vamos então, usar a mesma tática – Nos encontramos na Palestina!!!! Vamos educar, vamos criar gerações inteiras, vamos incutir a ideia de que a Palestina e Lugar de Palestinos. Viver essa realidade da mesma maneira que os Sionistas a distorceram.
Ensinaremos o povo que a Palestina será um lugar de Palestinos, onde outros povos viverão em paz como outrora. Sem guerras nojentas, sem crianças largadas na rua com suas mães mortas, sugando-lhes o seio em busca de leite pra matar a fome. Sem mulheres sem filhos pra criar, que foram mortos nas ruas por acidente, quando atingidos por disparos.
E muito fácil fazer passeatas e barulho, mas o que vamos dizer à mãe que viu o filho explodir em pedaços por que um Israelita esta defendendo seu orgulho de pertencer a um estado forjado a forca? Onde esta a Gloria dessa luta??
Encontramos-nos na Palestina!
Palestinos dispersos pelo mundo, ai esta o convite!
Tal qual remédio feito a partir do próprio veneno, vamos refazer a Palestina, resplandecente como outrora, com Paz e tranqüilidade!
Eduquemos essa geração, a não tolerar o Nazismo moderno, a não ser conivente com o absurdo, a não se calar diante da injustiça e da morte gratuita de inocentes!
Não a guerra armada, mas sim a guerra da educação e da consciência de que o Estado Judeu tem seu direito de existir, mas não à custa do extermínio de um povo! Não era essa guerra deles no comunismo? O direito de ser um povo? Por que exterminamos palestinos agora????
Vamos lá, estou começando agora!
Quem se atreve a continuar??
Encontramos-nos na Palestina!
Todo o apoio aos jovens gregos. Todo mesmo. Se precisamos de algo neste período histórico, é justamente se agarrar naquela bandeira forjada na Declaração Universal dos Direitos Humanos que é a liberdade e que ironicamente nunca foi posta em prática por nenhum governo. Mas houve um governo, que num curto prazo de tempo conseguiu avançar muito no processo de reconhecimento de explorados e oprimidos: os bolcheviques na Rússia em 1917. É certo que este momento não durou além da subida de Stálin ao poder, mas o que eu gostaria de chamar atenção, é para o fato de inúmeros grupos hoje se reclamarem de “bolcheviques” e hipocritamente utilizarem dos mesmos métodos dos quais os próprios bolcheviques criticavam à sua época.
O levante que está ocorrendo na Grécia ganhou parte da mídia, e ao menos no Brasil foi relativamente mais exposto do que o esperado, ainda que da velha forma que tanto conhecemos. Mas o interessante, é que muitos partidos políticos que reclamam da “tradição” bolchevique – quase que por linhagem sanguínea – colocam os jovens gregos como um grupo homogêneo que luta pela instalação do sistema socialista tal qual, eles, os discursistas de partidos vêem. Mas aqui é preciso levantar alguns questionamentos: 1º Os partidos de esquerda nos tempos atuais são herdeiros do bolchevismo ou criaram um discurso “familiar” para justificar suas práticas? 2º Estão os jovens gregos a lutar homogeneamente pela subida de algum partido de esquerda ao poder, ou estão apenas devolvendo às autoridades a opressão à que o Estado investiu, seja ela de qualquer ordem?
São questões complicadas, e interessantes, porque mudam o prisma de acordo com a posição do observador. Agora, e a posição dos gregos qual tem sido? Ao menos que eu tenha percebido são justamente a de jovens que não pensam em agremiações ou doutrinas, sejam elas revolucionárias ou não. Para aqueles que se julgam bolcheviques, que sirva de lição o que está acontecendo na Grécia, que ao menos em minha opinião, nada mais é que a união de quem sofre da mesma forma, e a base dos bolcheviques na revolução russa me pareceu esta. União, que os mesmos partidos que se reclamam de bolcheviques não conseguem aplicar na prática, e a idéia de frente única exposta por Karl Marx acaba sendo jogada ralo a baixo…
O fim do Fim da História? Sobre o eixo da atual crise financeira.[1]
O termo “bolsa” provavelmente surgiu no séculoXVI em Bruges na Bélgica, por conta de uma tradicional família, os Van Der Burse[2]. As Bolsas de Valores, desde a Baixa Idade Média – após o desenvolvimento comercial – ganharam a vida negociando mercadorias e capitais. Reside nelas o aspecto da perseguição do lucro, comprando e vendendo ações que representam frações do capital de uma empresa. Diariamente vemos pelos grandes meios de comunicação a saga das principais Bolsas do mundo e no Brasil, ainda que para a população fique obscuro o significado dos “índices”. Quem compreende a Dow Jones e a Nasdaq? O que as cotações das empresas estadunidenses ou as das de tecnologia tem a ver com a nossa sociedade? De que se trata a atual “crise” financeira e onde está sua origem?
O século XX foi palco de inúmeras crises do atual sistema econômico, o capitalismo. Segundo o historiador Eric Hobsbawm o século XX divide-se em três partes: a) A “Era da catástrofe”, com a crise da bolsa de 1929 como um de seus marcos, b) a “Era de Ouro” com grande desenvolvimento das forças produtivas, e por fim c) a “Era do desmoronamento” onde “as décadas de crise” seriam de um “mundo que perdeu suas referências e resvalou para a instabilidade”[3]. Entretanto, segundo o historiador Valério Arcary “Não há evidência histórica de crises econômicas sem saída para o imperialismo”, mas ressalta que “Não podemos descartar, evidentemente, que uma nova crise como a de 1929 possa ocorrer, embora o imperialismo tenha aprendido a lição histórica e venha-se prevenindo com muita prudência econômica”[4]. A atual crise que ganhou proporções a partir da perda de seus imóveis por milhares de norte-americanos, nas chamadas “subprimes”[5], tem gerado inúmeros debates. Um deles gira entorno de saber se esta é uma crise igual à de 1929. Segundo François Chesnais, a atual crise possui “características que são comparáveis à crise de 1929” e com aspectos diferentes de outras crises do capitalismo:
“nesta nova etapa, a crise vai desenvolver-se de tal modo que as primeiras e realmente brutais manifestações da crise climática mundial vão combinar-se com a crise do capital enquanto tal. Entramos numa fase em que se coloca realmente uma crise da humanidade”.[6]
A crise, que segundo Joseph Stiglitz, equivale à “queda do Muro de Berlim”[7], ganha proporção menor no entanto, na perspectiva de José Luis Fiori: “Muitos bancos e empresas seguirão quebrando, nascerão rapidamente novas regras e instituições, e haverá nos próximos meses, uma gigantesca centralização do capital financeiro, sobretudo nos EUA e na Europa”[8]. Sendo a crise em maior ou menor grau, onde está seu eixo? Quais suas características? Segundo o historiador José Menezes Gomes:
O aprofundamento da crise capitalista ao mesmo tempo em que se amplia o repasse de dinheiro público para amenizar a crise no setor financeiro deixa claro que a saída encontrada pela classe dominante para contornar a crise, na fase anterior, a fez ainda mais amplificada e se converteu numa nova fonte do endividamento público, enquanto o estado capitalista se afasta ainda mais dos chamados gastos sociais. Tudo o que foi já foi feito, todas as reformas, toda a retirada de direitos dos trabalhadores, todo o pagamento da dívida pública, em todos os países, tudo isso não foi suficiente para conter a crise.[9]
Esta crise, apesar de desdobrar-se em todo o mundo, é uma crise do próprio modelo neoliberal, haja que um dos seus princípios que ditava a “não intervenção” do Estado na economia falhou, e agora Bancos e economistas imploram pela injeção de milhões de dólares no “salvamento” de Wall Street[10]. César Benjamin lembra que “O que vemos não é um erro; mais uma vez, os Estados tentarão salvar o capitalismo da ação predatória dos capitalistas” e justifica esta ação: “as economias modernas criaram um novo conceito de riqueza. Não se trata mais de dispor de valores de uso, mas de ampliar abstrações numéricas”[11]. Podemos considerar que o eixo, ou seja, o centro desta crise é o próprio elemento essencial para funcionalidade do sistema capitalista. Esta contradição foi apontada em alguma medida por Karl Marx, e aí reside a consideração central que realizamos neste texto: apesar das seqüelas deste sistema econômico em todo o mundo (demissões em massa[12], auxílio financeiro às custas de privatizações como no caso do sistema de correio francês, e etc), a crise é global ou seu centro está a partir da especulação financeira, principalmente na Wall Street?
Francis Fukuwama, ao escrever o livro O fim da História, defendia a tese de que o sistema econômico vigente era tão perfeito, que perduraria pela sociedade como forma ideal de vida. Hobsbawm contrapõe esta visão e afirma que a atual crise financeira “pode transformar-se em uma grande depressão econômica nos EUA, dramatiza o fracasso da teologia do livre mercado global descontrolado e obriga, inclusive o governo norte-americano, a escolher ações públicas esquecidas desde os anos trinta”[13]. Ao mesmo passo que a crise coloca toda a incapacidade das “Bolsas” de “regular” o mercado, abre mais uma vez um quadro complexo também para aqueles que “viram-se obrigados, mais uma vez, a socorrer os banqueiros à custa dos seus sofrimentos”, colocando uma questão à esquerda internacional que é a de “não repetir o resgate dos financeiros”[14]. Será o fim do Fim da História? O eixo da crise se manterá ou romperá?
[1] Este texto foi publicado originalmente no Laboratório OMC da Universidade Estadual do Oeste do Paraná no mês de novembro de 2008.
[2] Burse em francês significa “Bolsa”.
[3] HOBSBAWM, Eric. A Era dos Extremos. São Paulo: Cia da História, 1995, pág 393.
[4] ARCARY, Valério. O Encontro da Revolução com a História. Sundermann, 2007. Pág 44 e 45.
[5] Ver reportagem de Daniel Gergamasco no jornal Folha de São de Paulo de 12/10/08, chamada “Proprietários perdem as casas nos EUA e vivem drama com prejuízo”.
[6] François Chesnais é economista, e este texto foi publicado no sítio eletrônico www.esquerda.net
[7] Entrevista de Joseph Stiglitz para Nahtah Gardels do jornal El País. Disponível no site www.cartamaior.com.br
[8] FIORI, José Luis. O mito do colapso americano.
[9] GOMES, José Menezes Gomes. Fase Neoliberal: Resultados e perspectivas.
[10] Segundo Ivo Lesbaupin no artigo Lições a tirar da crise econômica internacioinal: “Nos últimos 30 anos, a idéia neoloberal mais difundida, mais defendida, mais brandida, foi a de que ‘não há alternativa’ (…) Agora se reconhece publicamente, sem qualquer vergonha, que não só há alternativas, como elas são benvindas; caiu a proibição de pensar e pensar diferente, diferente do pensamento econômico único que nos foi imposto todo este tempo.”.
[11] BENJAMIN, César. Karl Marx manda lembranças. Folha de São Paulo, 20 de setembro de 2008.
[12] A Organização Internacional do Trabalho prevê mais de 20 milhões de desempregados em 2009.
[13] Entrevista / Eric Hobsbawm: a crise do capitalismo e a importância atual de Marx. Para Marcello Musto do Sin Permiso.
[14] Sociedad Latinoamericana de Economia Política y Pensamiento Critico. Buenos Aires, 23 de outubro de 2008.
* Eu já havia publicado este texto anteriormente, no mês de agosto, pelo OMC da UNIOESTE. Entretanto, creio que com esta crise financeira que se abre nestes tempos imediatos, novos casos de corrupção irão ser descortinados. Então creio que esta reflexão se faz em alguma medida atual. Assim espero, e talvez infelizmente, posto que a corrupção é um mal que nunca pode deixar de ser combatido. Boa leitura!
Em reportagem da BBC, o jornalista Caio Blinder lembra que “Em Nova York, é a Wall Street. Em Washington, é a K Street, a rua por onde trafegam os lobistas.”[iii]. Ele se refere a um caso de corrupção que poderia estar envolvendo mais de 300 congressistas estadunidenses. No momento à que se diz respeito o texto – o das eleições de 2006 – a BBC cita que “o comitê de reeleição de Bush anunciou que está doando para a caridade 6 mil dólares que recebeu do superlobista na campanha”. Vale lembrar que a primeira eleição de George Bush já foi envolta em acusações de corrupção. A partir de alguns elementos como estes, fica evidente que a corrupção atinge publicamente instituições caracterizadas em parte pela sociedade como “solidificadas”. Quantas vezes já escutamos que o governo e a política norte-americana são um exemplo para todo o mundo? Mas o que dizem os organismos internacionais, aqueles aos quais o próprio governo estadunidense compõe?
Segundo o Banco Mundial[iv], nos países onde a corrupção é mais acentuada há uma queda de investimentos, diminuindo drasticamente a arrecadação destas nações. A ONU chegou a realizar uma “Convenção contra a Corrupção”, que no preâmbulo afirma estarem:
“preocupados pela gravidade dos problemas e as ameaças, que estabelecem a corrupção, para a estabilidade e segurança das sociedades, ao socavar as instituições e os valores da democracia, da ética e da justiça e ao comprometer o desenvolvimento sustentável e o império da lei”[v].
É comum ouvirmos que o Brasil é um país onde a corrupção é expoente. Mas será que outros países estão ilesos a escândalos que envolvem políticos e empresários no mal trato do dinheiro e da coisa pública? Ask Why? Ou seja, por quê?
O caso Enron
Alex Gibney trouxe na forma do documentário Enron – Os Mais espertos da sala[vi], uma amostra de como empresas podem, a partir de manipulações contábeis e esquemas envolvendo grandes políticos, usar a estrutura do Estado em benefício próprio.
A Enron foi uma empresa texana criada nos anos 80, que utilizando mais tarde o slogan “Ask Why?”, ou seja, “por quê?”, falsificou projeções financeiras com pretensas tecnologias que nunca existiram. Além disto, a proximidade da empresa Enron com políticos como George Bush, facilitou a contratação de seus serviços pelo governo, como no mentiroso blecaute na Califórnia em 2001. A empresa, que teve ações entre as mais valorizadas da bolsa norte-americana, faliu deixando centenas de trabalhadores na rua, enquanto os seus “mais espertos da sala”, em boa parte saíram em grande estilo, pois enquanto criavam um valor irreal para as ações da empresa, eles mesmos vendiam as suas, por milhões e milhões de dólares.
Corrupção e Mercados
Em reportagem do The New York Times de 21/07/08, Peter S. Goodman destacou que os norte-americanos estão tomando mais empréstimos do que podem pagar, e colocando assim suas hipotecas em jogo. Como o próprio jornalista diz, “Agora está chegando o dia da prestação de contas”[vii]. A questão a que se refere o jornal trata das hipotecas imobiliárias, chamadas também de “subprimes”. Ai está outra relação entre economia e política que já aponta icebergs de corrupção. Um deles, e publicamente escancarado, é o auxílio do governo a bancos que teoricamente “precisam de dinheiro”, mas que por outro lado gastam, como o próprio jornal reconhece, “oceanos”. Segundo o jornalista “Onde os bancos vão captar as gigantescas somas necessárias para repor o capital que eles aparentemente perderam? E o que acontecerá se não conseguirem?”. A resposta é mostrada pela mídia quase que diariamente quando ouvimos falar em “recessão”. Colada à questão, está a alta dos alimentos e as inflações. E o que quer dizer tudo isso? Quer dizer que para salvar empresas, o Estado injeta financeiramente a sua ajuda, mas não para tabelar os preços dos alimentos ou ajudar a população pagando seus empréstimos, mas sim para dar dinheiro a este sistema privado, em seu “salvamento”.
Tudo isto não é novidade. O governo sair em defesa de grandes corporações e do mercado é uma das orientações do Consenso de Washington; o mesmo Estado que não deve interferir em questões da liberalização econômica. Segundo o lingüista Noam Chomsky, no livro O lucro ou as pessoas?:
O Consenso [neoliberal] de Washington é um conjunto de princípios orientados para o mercado, traçados pelo governo dos Estados Unidos e pelas instituições financeiras internacionais que ele controla e por eles mesmos implementados de formas diversas (…). Os “grandes arquitetos” do Consenso [neoliberal] de Washington são os senhores da economia privada, em geral empresas gigantescas que controlam a maior parte da economia internacional e tem meios de ditar a formulação de políticas e a estruturação do pensamento e da opinião. Os Estados Unidos tem um papel especial nesse sistema.[viii]
Abrimos pois esta discussão, refletindo sobre a idéia de que a corrupção está também intimamente ligada às questões da relação entre Estado e Mercado, principalmente quando o primeiro está submisso ao segundo; ou seja, dentro das regras do lucro. Não somente no Brasil a corrupção atinge graus elevados com membros do PT e com seus “valériodutos”, mas também nos EUA na relação entre George Bush e empresas financiadoras da sua campanha, como no caso da Enron.
* Este texto foi publicado originalmente no Laboratório Observatório do Mundo Contemporâneo da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.
Paraná.
[iii] Reportagem “Escândalo de corrupção cresce nos EUA e preocupa republicanos” (BBC, 04/01/2006), Nova York), retirada do site da BBC em 15/07/2008. Link:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/01/060104_lobbyeuaanalisecb.shtml
[iv] Informações retiradas da reportagem “Corrupção produz pobreza: estudos mostram que maracutaias devastador sobre o desenvolvimento” de Eduardo Salgado. (VEJA, 27/11/02) em 15/07/2008. Link: http://veja.abril.uol.com.br/idade/exclusivo/271102/p_054.html
[v] Convenção da ONU Contra a Corrupção. Laboratório do Tempo Presente da UFRJ. Retirado do site 15/07/2008. Link:
http://www.tempopresente.org/index.php?option=com_content&task=view&id=818&Itemid=82
[vi] Enron: The Smartest Guys in the Room EUA, 2005, 109 min Documentário. Link para o Trailer: http://www.omelete.com.br/superomelete/filmes/paginas_db/enron.asp
[vii] Reportagem “O que temos à frente: alguns anos difíceis ou uma década ruim?”. The New York Times 21/07/2008. Retirada do site em 27/07/2008. Link:
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/
[viii] CHOMSKY, N. O lucro ou as pessoas: neoliberalismo e ordem global. 4 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2004.
Hace un año apareció en unos cuantos diarios y medios de prensa una pequeña nota que informaba del término del bombardeo al campo de refugiados Nahr el Bared. Nada se dijo sobre los civiles muertos, las catastróficas consecuencias materiales y las motivaciones políticas que existían. Una vez más, sólo se habló de cifras parciales, como suele ocurrir cuando se trata de los conflicto en Medio Oriente.
Nahr el Bared, que significa Río Frío en árabe, era un tranquilo y pequeño campamento de refugiados, situado a 16 kilómetros al norte de Trípoli, en el Líbano. Fue establecido en 1949 por la Cruz Roja para acoger a los miles de palestinos que debieron dejar sus hogares cerca del lago Huleh, en Palestina, un año después de la creación del Estado de Israel .
La Nakba (catástrofe), como se le conoce a este acontecimiento cuando unos 700.000 palestinos tuvieron que huir de sus hogares en 1948, marcó un antes y un después en la milenaria historia de Palestina y condenó a millones de sus habitantes a vivir como refugiados, principalmente, en los países vecinos como Siria, Líbano y Jordania; y a muchos otros a trasladarse a distintas partes del mundo.
58 años después, los refugiados y sus descendientes, habían logrado levantar un barrio que albergaba a 35 mil personas, con viviendas sólidas y un comercio activo. Años de sacrificio y reasentamiento se vinieron abajo el 20 de mayo de 2007, cuando el ejército libanés comenzó un bombardeo que se extendería por 106 días, destruyendo todo lo que encontraba a su paso, sin importar que éstos fueran civiles, niños, mujeres y ancianos.
El motivo de dicha operación, según fuentes libanesas, se debía al ingreso ilegal al campo de milicianos islámicos de diversos grupos, entre ellos Hezbollah y Fatah al Islam, quienes habrían sido los autores de diversos atentados en el norte de Beirut y del asalto a un banco en la localidad de Amyuon. Fatah al Islam es un grupo que reúne diversas nacionalidades árabes y que se constituyó el 29 de diciembre de 2006, luego de ser expulsado de Fatah al Intifada, debido a sus posiciones extremistas, asentándose meses después del ataque e invasión de Israel al sur del Líbano, en los al rededores de Trípoli, específicamente en Nahr el Bared.
Con este argumento, el ejército libanés convirtió el sector conocido como Río Frío, en un verdadero río de sangre, penetrando por primera vez en el campo de refugiados, lo que estaba prohibido por un acuerdo explícito entre el gobierno, la Liga de los Estados Árabes y la Organización para la Liberación de Palestina (OLP); tras la guerra civil libanesa que aconteció entre los años 1975 y 1990. Un día después de que se retiraran del sector, Seniora prometió la reconstrucción bajo tutela del Estado libanés.
El campamento Badawwi, ubicado a cinco kilómetros de la ciudad costera de Trípoli, acogió a los más de 20 mil civiles que buscaron refugio durante los últimos días que duró el ataque, provocando una sobrepoblación y un colapso en los servicios sociales. Aunque muchos se reunieron en las afueras protestando y denunciando lo que ocurría, no fueron tomados en cuenta más que desde una perspectiva humanitaria, sin cuestionar el por qué se llegó a la decisión de hacer pagar a la población como justos por pecadores.
Ocultando el desastre
A esas alturas poco se sabía de lo que ocurría bajo el fuego y el humo que rodeaba uno de los 12 campamentos oficiales de todo el país, que albergan a más de 400 mil refugiados palestinos. Sólo se sabía lo que informaban algunos residentes a través de llamadas telefónicas, confirmando que el ejército continuaba bombardeando con artillerías áreas específicas donde estaba radicada la mayoría de los civiles. Periodistas y medios de prensa tenían prohibida la entrada a la denominada “zona de guerra” y hasta abril de este año, quienes conseguían hacerlo, eran custodiados por soldados libaneses que se encargaban de requisar las cámaras.
Tanto la prensa internacional, como la información oficial entregada por el gobierno, justificaban el ataque como parte de los objetivos militares de acabar con las revueltas y acciones cometidas por las organizaciones extremistas. Sin embargo, nada se dijo del real escenario provocado luego de tres meses en que se lanzaron bombas, cohetes y proyectiles en lo ancho y largo del campo. Uno de los pocos que sacaron a la luz lo acontecido fue Franklin Lamd, experto norteamericano en asunto libaneses, quien visitó el campamento y escribió: “Después de tres días de bombardeo, hay más de 100 muertos, no hay agua, ni electricidad, huele a carne quemada y podrida, a casas carbonizadas, a aguas servidas y el acre olor de munición”. Cifra que aumentó con el pasó de los días, alcanzando a más de 250 el número de muertos, entre los que había, en su mayoría, civiles, como también, soldados y milicianos.
Convencidos, y convenciendo, del “triunfo” que significó la hazaña, tanto el máximo jefe del Ejército del Líbano de ese entonces y actual Presidente, Michel Suleiman, como el primer ministro, Fuad Siniora, declararon sentirse satisfechos por haber aniquilado los grupos armados, gracias a sus buenos movimientos militares, su potente arsenal y los efectivos enviados por Estados Unidos. Lo que no se comentó fue acerca del saqueo a las viviendas, la destrucción intencionada, los incendios premeditados a todo aquello que no fue bombardeado, los eslóganes racistas y ofensivos hechos por sus militares contra los palestinos y las decenas de abusos sexuales que vivieron muchas de las víctimas, según constataron las actas médicas.
Hoy, todo el campo está destruido. Los escombros se acumulan en lo que hasta hace no mucho eran casas y edificios bañados por el mar Mediterráneo, sin que exista certeza de que se concreten los proyectos de reconstrucción y que retornen sus habitantes. Sólo evaluaron como “normal” el resultado de la contienda militar y exhiben orgullosos su bandera flameante en medio del desastre. Esta es la segunda Nakba, donde miles han debido emigrar con lo puesto y sólo una minoría, cerca de cinco mil, se han acomodado en las pequeñas y básicas viviendas construidas por las Naciones Unidas en terrenos alquilados a los propietarios palestinos.
Es el caso de Said, quien junto a su esposa, que padece cáncer terminal, han tenido que comenzar de cero. Amontonado en una pequeña habitación de 16 metros cuadrados, con piso de tierra y sin sistema de alcantarillado ni agua potable, ha debido trabajar como obrero de la construcción para llevar lo esencial para sobrevivir durante estos meses y para que sus 7 hijos, todos estudiantes, puedan continuar con sus educación.
“Antes de la destrucción estábamos en una situación tranquila, había seguridad y éramos conocidos como un campamento donde había mucho comercio. Luego de la invasión de Israel contra el Líbano, fuimos sorprendidos por la presencia de gente extraña, no sabíamos de dónde venían y de repente el ejército libanés puso puestos de control y bloqueó el campamento”, recuerda Said.
Si bien en un comienzo sólo bombardearon las posiciones de Fatah al Islam, el ejército no tardó en atacar la denominada “zona vieja” del campamento, lanzando proyectiles y cohetes, alcanzando como víctimas no sólo a los milicianos, sino que también a decenas de civiles que sin ser alertados no tuvieron dónde huir y resultaron ser un blanco fácil en un campamento que presentaba una alta densidad de población. Pero no les bastó con eso.
Aunque el gobierno de Seniora se comprometió a salvaguardar a los civiles durante su enfrentamiento con Fatah al Islam, durante dos semanas su ejército comerció armamento pesado con los milicianos y luego comenzó las incursiones terrestres y aéreas, olvidando por completo su compromiso inicial. “No podemos darnos el lujo de negociar. No podemos llegar a un acuerdo sobre el asunto del terrorismo”, fue la excusa del primer ministro libanés cuando se le cuestionó su decisión.
Un nuevo Sabra y Chatila
Un alto representante de la OLP en el Líbano, Abbas Zaki, comentaba en la televisión su impresión al ver “cadáveres pudriéndose en las calles”. La tragedia se revivía 25 años después de la masacre en los campos de refugiados de Sabra y Chatila, cuando las falanges cristianas libanesas asesinaron a más de 3 mil civiles, una vez que el ejército israelí, al mando de Ariel Sharon, autorizara su ingreso.
La diferencia radica en que las imágenes de los miles de cuerpos ennegrecidos acumulándose en aquel septiembre de 1982 dieron la vuelta al mundo. Ahora, nadie sabe qué ocurrió en Nahr el Bared, nadie explica cómo sucedieron los hechos, ningún tribunal internacional condena a los culpables y los medios no publican imágenes que reflejen la destrucción masiva y dolorosa que significó 3 meses de ataque indiscriminado.
El gobierno prooccidental que encabezaba el primer ministro Seniora sigue sumergido en la eterna batalla política con Hezbolá y sus aliados desde la invasión israelí a mediados de 2006. El asunto palestino no ha sido ni es una urgencia para el Líbano, pues sumado a las últimas masacres se encuentra la histórica situación de marginación que ha debido enfrentar la población palestina, a quienes no se les permite adquirir propiedades, el ejercicio de 75 profesiones (periodistas, médicos, profesores, entre otros) y un sinnúmero de prohibiciones que les impide igualar en derechos a los ciudadanos libaneses, aun cuando las nuevas generaciones hayan nacido ahí.
La extrema situación ha desesperanzado a los refugiados, radicalizando la situación dentro de los campos y creando un clima de inseguridad que oscurece el futuro de miles de personas que llegaron a ese lugar buscando la paz que les fue arrebatada en su propio hogar. Sin embargo, los palestinos que ya comienzan a retornar a lo que quedó de sus viviendas, saben que sólo les queda resistir y en medio de cánticos, aplausos y el popular dabke (baile folclórico) aseguran que ante nuevos ataques, ellos seguirán casándose y seguirán teniendo hijos hasta volver a su histórica y controversial Palestina.
* Esta reportagem de Yasna Mussa foi publicada originalmente na Revista El Periodista em 10 de Outubro.
No Brasil, o aumento nos preços dos alimentos observado nos últimos anos atingiu, sobretudo, as camadas mais pobres da população e, apesar de colocá-las em situação de insegurança alimentar, não gerou conflitos civis como os ocorrido em outros países: Haiti, Egito, Indonésia e Senegal. Em parte, a ausência de protestos em nosso país pode ser explicado pela existência de vários projetos assistencialistas que amenizam o problema, como no caso do Programa Bolsa Família. Aqui, apesar da histórica desigualdade social e da pobreza gerada pelo desenvolvimento desigual de um país colonizado sob o estigma da exploração mercantil européia e, nas últimas décadas, aprofundada pela intensa submissão ao neoliberalismo, as discussões sobre a fome global nos chegam mais através do construto proporcionado pela mídia, com base na discussão internacional sobre a fome, à qual o próprio governo brasileiro está inserido.
A partir desta perspectiva, percebemos inúmeras leituras sobre as causas da fome no mundo. Uma das principais causas da fome apontada pela mídia seria a produção de biocombustíveis. Um exemplo é a recente afirmação de Jacques Diouf, diretor geral da FAO[1], que disse: “o resultado é que quase 100 milhões de toneladas de cereais foram subtraídas aos mercados de alimentos para destinar-se à satisfação de necessidades energéticas”.[2]
Desde que o Banco Mundial e outros organismos têm colocado a culpa pela fome na produção de etanol, o presidente Lula tem rebatido as críticas lembrando que os EUA também produzem biocombustíveis e que, inclusive, oferecem altos subsídios para os seus agricultores dificultando, assim, que a produção de etanol de outros países possa contribuir para o desenvolvimento dos pequenos proprietários. Segundo reportagem de Alan Beatiie, do Financial Times, os EUA propuseram uma medida na pretensão de reduzir os subsídios agrícolas[3]. Entretanto, para o governo brasileiro esta redução seria insuficiente. Segundo a revista Veja a produção de etanol dificilmente prejudicaria a produção de alimentos no mundo, a não ser que os países utilizassem a produção agrícola com fins energéticos em detrimento dos alimentos. Além disso, no momento, o mundo produz mais alimento do que consome. [4]
A mesma revista Veja, e no mesmo especial, afirma que a “demanda cresce, o clima atrapalha e o preço sobe”. Dentre as causas do aumento dos preços dos alimentos estariam o aumento do consumo da carne pelos chineses (para se produzir um quilo de carne bovina são necessários cerca de oito quilos de grãos) e as secas na Austrália. Lula também já havia utilizado o mesmo argumento.
De forma interessante, parte dos movimentos sociais vinculados à “via campesina” também lembram que o acordo sobre o etanol assinado por Bush e Lula traz sérios problemas como a monocultura, destruindo a agricultura familiar[5].
[1] Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação ( FAO). Segundo Jacques Chonchol no artigo A Soberania alimentar, a FAO teria sido criada no fim da guerra, em 1945, quando Roosevelt convocou uma reunião com 44 países para refletir sobre a questão da fome. IN: Estudos Avançados. São Paulo, 2005, vol. 19, n.º 55. Disponível em www. scielo.br. Acesso em 25/09/2008.
[2] Reportagem “Biocombustíveis privam mundo de 100 milhões de toneladas, diz FAO”. Folha de São Paulo (21/07/08).
[3] Estados Unidos pretendem reduzir limite de subsídio agrícola para US$ 15 bilhões. Alan Beattie. Financial Times (23/07/08)
[4] Especial “Biocombustíveis e alimentos”. Revista Veja. Abril de 2008.
[5] MITTAL, Anuradha; MORENO, Camila. A aliança do Etanol: ameaça à soberania alimentar e energética. Disponível em www.mst.org.br. Acesso em 25/09/2008.
Desde sua implantação o sistema penitenciário brasileiro demonstra ineficácia, ilegalidade e inconstitucionalidade.
A situação é caótica, presídios superlotados, falta de condições básicas a sobrevivência (higiene, alimentação, leitos), deficiência nos serviços médicos, reiterados abusos sexuais, violência e a falta de perspectiva de reintegração social resumem a dura realidade dos encarcerados.
A superlotação das prisões é particularmente dramática, e talvez o mais grave problema que aflige o sistema penal brasileiro. De acordo com o último levantamento divulgado pelo Departamento Penitenciário Brasileiro (Depen), a população prisional é de aproximadamente 422 mil presos com um déficit de 275.194 mil vagas, sem contar com os mais de 500 mil mandatos de prisão que não foram cumpridos.
Os crescentes custos do encarceramento e a falta de investimentos no setor por parte da administração pública geram uma conseqüente superlotação nas prisões, apartir daí decorrem outros problemas. Estudos demonstram que a superlotação é um dos principais fatores que condicionam decisivamente o comportamento dos internos.
As chamadas penas alternativas seriam uma solução para o problema da superlotação, o que não significa deixar os criminosos sem punição, mas sim aplicar-lhes penas condizentes com a gravidade de seus crimes. Dentre as penas alternativas pode-se citar as Restritivas de Direitos, previstas nos arts. 32, 43 a 48 do Código Penal. Outra medida a ser tomada seria fornecer ao preso um aprendizado técnico ou profissional que lhe permita uma reintegração social completa uma vez que tenha sua pena cumprida, evitando assim a reincidência criminal e seu conseqüente retorno ao cárcere.
A finalidade do encarceramento deveria ser a recuperação e ressocialização do infrator, entretanto, o que se vê atualmente no Brasil são instituições penitenciarias encaradas como verdadeiros depósitos humanos, “escolas do crime” que não cumprem seu papel ressocializante, onde o preso tem sua integridade física e moral constantemente desrespeitadas e vive sem nenhuma condição de dignidade.
Hoje (02/07/2008), o Financial Times publicou uma matéria chamada “Migrantes venezuelanos procuram uma vida estável na Colômbia”. A Jornalista Anastasia Moloney descreveu uma pretensa onda de migração dos venezuelanos que estariam indo morar na Colômbia em busca de uma vida melhor. Mas a questão colocada pelo FT não é tão simples assim. Há de fato uma onda de pessoas saindo da Venezuela, e acerta o jornal quando diz que o motivo é político. Mas centralmente o que está colocado é o enfrentamento de Hugo Chavez para com a própria burguesia local. A grande maioria das pessoas que tem saído da Venezuela para a Colômbia, estão indo para formar “negócios”. São as classes média e alta que estão incomodadas com o governo, e sentem-se achatadas pois não conseguem mais lucrar como antigamente. Para além disto, grande parte da burguesia que ocupava os cargos do Estado, como por exemplo cargos comissionados da PDVSA, hoje já não podem mais usufruir da mamata. Não que eu seja um chavista de carteirinha, mas o senhor Bolívar de fato fez uma limpa (ainda que não totalmente) no aparelho do Estado.
Essa burguesia na Venezuela costuma fazer um barulho peculiar mesmo. Não quero pecar pelo excesso em sátira, mas me lembro do documentário “A revolução não será televisionada” que mostrava as mobilizações contra Chávez. Era incrível ver uma quantidade enorme de pessoas indo participar das passeatas com os seus carros importados e gritando “out, out” em inglês ou invés de mandar o Chávez embora em espanhol. Parece irônico. Mas no documentário fica claro o sinismo burguês, que afirmava estar no poder mesmo quando já não estava mais. Hugo Chávez tem muito o que fazer, e peca muito também. Um exemplo? O Mercosul. Mas é preciso entender que existe um esforço internacional para desestabilizar o governo Venezuelano, e a grande mídia compactua deste esforço claramente. A matéria do Financial Times é entendível no seu propósito, mas não toca na questão do próprio povo Venezuelano, das massas trabalhadoras e dos campesinos, que pela primeira vez em décadas começam a ver a luz de empregos, salários e condições melhores de vida. Quando enxergam essa oportunidade, acabam sentindo a pressão de uma burguesia mimada que não quer dividir o seu lucro, e faz bico dizendo que vai embora.
Passados os anos da ditadura militar, a mídia alternativa até pode dar uma respirada. Obviamente, aqueles anos de “chumbo” e “grosso”, afogavam o escoamento da informação para a sociedade através dos seus quase conhecidos métodos. Digo quase porque nem todo mundo faz idéia do que acontecia, e mesmo do que se conhece, ainda há muita gente a saber do que houve. Muitos jornalistas foram assassinados, jornais fechados, reportagens marcadas com um grande e negro “X”. A ditadura militar realmente cassou a liberdade de expressão e isto é um ponto final. Será?
Hoje, teoricamente se pode criar um veículo de informação da noite para o dia e apresentar com a periodicidade que se quiser, matérias, reportagens, artigos e idéias como bem se entender. A Internet nos facilita muito nisto. Mas também poderíamos fazer de outras formas: impressa, de boca em boca ou até mesmo em forma de rádio e tv. Mas sabemos que não é tão simples assim. Criar uma rádio pirata é pedir para ter dor de cabeça com a agência nacional de fiscalização do rádio (não que eu defenda que não deva haver rádios piratas – pelo contrário), montar uma tv nem se fale então. Sobra a internet como forma rápida e mais livre.
Parece muito óbvia a simplicidade em se formar meios alternativos de informação. Mas peço licença para rebater esta obviedade simplista e acomodadora com uma questão: esta mídia vai sobreviver do que cara pálida??? É preciso recursos para manter um jornal, ainda que seja em formato blog. No geral, muitos veículos começam como nós do Observatório do Mundo Hoje, que junta a força produtiva de várias pessoas que doam um tanto do seu tempo para compartilhar visões diferentes de mundo das estabelecidas pela grande mídia. Mas isto apenas não basta. Nós mesmos sabemos que nosso blog é simples demais para ser um veículo que as pessoas possam acessar diariamente para manterem-se informadas. Sabemos que somos pequenos, apesar da importância que sabemos também ter. E é neste sentido que escrevo este texto. O de dizer que tem Mídia Alternativa grande e boa precisando de ajuda.
Já faz mais de um ano, eu tive a oportunidade de esbarrar em um site chamado Fazendo Média (www.fazendomedia.com) e conferi ser o mesmo o site de um jornal muito bem elaborado, e alternativo. Não conheço as pessoas que escrevem para o Fazendo Média, e nem estou recebendo um por fora para escrever este artigo. Mas penso comigo: como podemos ter um veículo forte independente e alternativo se não lutarmos pelo seu sustento? Digo isto porque recentemente vi no Agência Carta Maior um chamado para contribuir para permanência do Fazendo Média realizando assinatura do jornal impresso.
Oras, se queremos ter as opções de acesso à informação de qualidade, precisamos minimamente nos esforçar também para o surgimento das mesmas. Não estamos mais sob a mira dos fuzis militares, mas em contrapartida, a mídia alternativa pode morrer por falta de recursos. É com este intuito, o de dizer que é justo manter o Fazendo Média, que escrevo este texto perguntando a nós mesmos: qual a medida do nosso esforço pela liberdade e pluralidade da informação na mídia hoje?
Não adianta apenas dizermos que os jornalistas que estão se formando hoje só querem saber de ter um carrão e trabalhar num jornal intencionado alienando a população se também não entendermos que estes mesmos jornalistas não encontram jornais independentes e alternativos que possam ajudá-los a pagar o seu aluguel, a prestação da sua geladeira, o colégio do filho mais novo, a faculdade do filho mais velho e também aquela cerveja do fim de semana que é tão importante para mantermos a nossa brasilidade forjada. Claro, um estudante que sai da faculdade querendo deixar as pessoas mais burras, tem lá seu grau de alienação, mas e o campo de trabalho? Reclamamos, reclamamos, reclamamos mas lavamos nossas mãos. E mesmo assim, tem jornalistas, como os do Fazendo Média, que estão lá: pensando e produzindo conhecimento sem ônus para quem lê. E eu confesso, me sinto as vezes envergonhado em ter acesso a tanta informação boa e nem sempre estar contribuindo para que o cara que escreveu a mesma informação possa continuar vivendo de sua escrita.
Leia o Fazendo Media, assine, divulgue, contribua para a Mídia Alternativa e Independente.
Quando a esmola é demais, o santo desconfia. E nosso santo é esperto. Saiu hoje (30/06/2008.) no Folha On Line matéria de título “Ministério Público investiga eventuais prejuízos em manifestações de professores”. O texto que pretendia “ouvir” os dois lados, destacou claramente a leitura de que o ato dos professores, impulsionado pelo Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), teria gerado transtornos, cito trecho: no centro. Os professores chegaram a ocupar as duas pistas da avenida, prejudicando o trânsito. A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) registrou 2,5 km de lentidão na via. A Paulista tem cerca de 2,7 km. (Folha 30/06/08).
O centro da discussão o jornal não destacou…
A situação dos professores em São Paulo é precária. Aliás, para lá de precária. No site da Folha de São Paulo mais de cem comentários seguiram-se à matéria publicada, muitos deles indignadíssimos, e com toda a razão. Pois quem está lá (em meio a luta), sabe que é direito se manifestar, e não causa prejuízo à cidade se organizar para lutar por reivindicações, justíssimas inclusive. Acontece que o “outro” lado, nem é tão escutado assim…
Para quem quiser saber mais das reivindicações dos trabalhadores em Educação de São Paulo, procure “APEOESP” no google. Para quem quiser saber mais sobre a tentativa despuradora do Estado em desqualificar a luta dos professores, procura… procura… E nem precisa procurar tanto.
A Constituição Federal de 1988, artigo 231, §1º consagra formalmente o indigenato, instituição jurídica luso-brasileira que reconhece o direito dos povos indígenas sobre as terras tradicionalmente ocupadas por eles.
O indigenato é mais uma alegoria diversionista criada no século XVII, pois a tradicional ocupação do território pelos índios não impediu a ocorrência de conflitos e ações genocidas. Em um século de colonização foi declarado o indigenato com o Alvará de 1º de abril de 1680, confirmado pela Lei de 6 de junho de 1755 que ainda vigora.
O reconhecimento do direito à terra difere dos direitos relativos à propriedade privada. Os não indígenas podem ter propriedade e posse da terra, mas as terras ocupadas por povos indígenas são bens da União. O fato de serem terras públicas tenta dar aos índios a segurança da permanência e do usufruto de águas e outros elementos, para a sua subsistência, e evitar serem surpreendidos por garimpos ou obras que limitem ainda mais a fruição de sua vida natural e cultura. Toda e qualquer alteração exige a manifestação do Congresso Nacional.
Teoria e prática em descompasso. Exemplifiquemos com um dos conflitos mais complexos que envolve o uso de recursos hídricos: UHE (unidade hidroelétrica) de Tijuco Alto, no Vale do Ribeira. A construção dessa barragem é um intento da indústria do alumínio de propriedade de Antônio Ermírio de Moraes a fim de obter mais energia elétrica a baixo custo.
Se analisarmos fria e atentamente a conduta dos órgãos responsáveis (IBAMA, Ministério das Minas e Energia e Ministério do Meio Ambiente) q têm diretrizes para descomplicar os procedimentos de estudo de impacto ambiental, cedo ou tarde, os índios serão desalojados. E para qualquer um dos conflitos em terras ocupadas por índios teremos a mesma resposta. Podemos ter ainda conflitos armados, homicídios e genocídio. O desfecho previsível é sempre o confinamento dos povos indígenas em áreas cada vez menores e insuficientes à evolução natural de sua vida.
O choque é cultural e econômico. Separamos a nossa existência da Natureza, os índios não. A Natureza passa por eles e eles por ela: É possível comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como podem comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada areia da praia, cada bruma nas densas florestas, cada clareira e cada inseto a zumbir são sagrados na memória do meu povo. A seiva que corre através das árvores carrega as memórias do homem vermelho. (…) Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem, quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos nunca esquecem essa bonita terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela é parte de nós.(…) Os rios são nossos irmãos, eles saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossas crianças…1
Até parece que somos incompetentes para a simplicidade.
1 Manifesto do chefe Seattle ao Presidente dos E.U.A., em 1855, respondendo à proposta de Franklin Pearce de comprar as terras por sue povo habitada.
Uma das mais bem elaboradas embromações contemporâneas é o conceito de desenvolvimento sustentável, delineado no relatório “Nosso Futuro Comum”, coordenado por Gro Harlen Brundtland em 1987.
Sumariamente, sustentabilidade é um termo provindo da ecologia que explica a manutenção de ecossistemas e da vida, enquanto que desenvolvimento provém da economia, no sentido de acumulação de bens e capital.
Desenvolvimento sustentável simplesmente é um conceito elaborado para não funcionar pois tenta conciliar dois universos opostos: respeito à vida e subserviência ao capital, sendo que o termo desenvolvimento é anteposto ao sustentabilidade.
Há algumas semanas uma tempestade em copo d’água se formou com a renúncia ao Ministério do Meio Ambiente pela Senadora Marina Silva. Essa figura emblemática na luta e defesa pelo meio ambiente foi alçada, pela comunidade internacional e setores da “esquerda”, ao status de Artêmis, protetora das florestas, em virtude de sua trajetória política e peculiar história de vida que, sem dúvida, merece apreço. Mas se considerarmos que sacrifícios individuais e materializações de heroísmo resolvam os problemas ambientais, estamos negando que o sistema econômico capitalista seja deletério e acreditando ingenuamente na força do conceito de desenvolvimento sustentável.
Os ataques à política ambiental do atual governo e a sublevação da Senadora Marina Silva ofuscam o necessário reconhecimento de que vivemos sob a sombra de um “socialismo cosmético” também conhecido como social democracia… na Europa, claro. No Brasil as políticas de distribuição de renda estão em formação mas, são elaboradas a partir de modelos liberais e, por isso, no texto consideradas cosméticas.
A floresta Amazônica não tem como ser preservada num sistema econômico alicerçado na exploração do trabalho humano e animal, na espoliação dos elementos naturais para a acumulação de bens, riqueza e poder de um grupo ínfimo de pessoas. As migalhas do sistema ainda são mal distribuídas: são as desigualdades sociais de amplo espectro, sendo que os mais beneficiados são os nascidos anglo saxões, tanto na Europa quanto na América do Norte.
O consumo dos mais privilegiados padroniza o escopo consumista dos marginalizados. Considerando que as políticas estatais de bem estar estabelecem ascensão social pelo aumento do consumo e esse aumento é justamente o que os produtores esperam, pois sem consumo o sistema entra em colapso, qual a real diferença entre termos Marina Silva como ministra do Meio Ambiente ou qualquer outro?
A diferença é ter uma figura simbólica quase mitológica, entronada numa cidade edificada artisticamente (o Olimpo do Brasil) para termos histórias de um mito feminino que, retratando um ser que não existe, só poderá fazer o que um ser desses faz: nada! Serve apenas aos que preferem histórias bonitas para dormir bem.
A mídia brasileira ainda não falou sobre o tema. É óbvio, é melhor investir nos mesmos sensacionalismos de sempre porque geram mais caos, e com caos as pessoas tem medo, e com medo elas compram mais e assistem mais tv para não terem que sair de casa e o submarino.com agradece. Mas enfim, a questão é que foi aprovada no parlamento europeu uma tal lei chamada “Directiva de retorno”. What? Relax baby, eu explico o que tem rolado com os gringos (não tão gringos – posto que tem brasileiro no meio). É assim, a União Européia vem a todo o instante tentar desregulamentar o trabalho. Isso não é novidade, pois é a moda do momento. A fórmula é simples: para vivermos bem só de especulação, vamos acabar com os direitos trabalhistas, e assim sem direito a greve e essas coisas de sindicalistas, nós, a classe “dominante”, podemos ficar de boa. Assim, essa tal lei ai aprovada ontem (dia 18 de junho), vem facilitar a detenção prolongada e a expulsão de imigrantes com problemas em sua documentação (ainda bem que todos os brasileiros estão lá de forma regular hein…).
Comédias a parte, a situação é crítica. Várias personalidades já somaram-se as manifestações que começam a pipocar contra a tal lei. No fundo o que isto vem a nos ensinar é que esses TLCs (tratados de livre comércio) só tão ai pra isso mesmo. Para quem não leu a Constituição Européria eu informo que ela tem mais de 500 vezes a palavra “Banco” e nenhuma vez a frase “geração de empregos”. E o Lula ainda disse que o Mercosul vai ser igual… Deus me livre hein (esperamos que ele – deus, seja brasileiro então). O próprio Bush já disse que se a ALCA não deu certo por aqui, ele vai aplicar a sua política via Mercosul. Essa é a Directiva do Capital, a da exploração e da desregulamentação do trabalho! E esta questão dos imigrantes tem tudo a ver com isto, pois são eles que estão lá trabalhando, e querem reduzir suas condições para que a sua mão de obra seja ainda mais explorada. Mas assim como os franceses deram um baita NÂO à Constituição Européia (ainda que a mídia também não tenha falado disso como deveria né), esperamos que (e lutamos enfim) para e que as defesas dos direitos trabalhistas sejam garantidos. Ainda bem que essas coisas não acontecem aqui pelo Brasil hein… Aqui a coisa tá tão tranqüila tirando o futebol…
Bom, o assunto está quente. Em breve trarei mais alguns apontamentos para debatermos a questão.
O caso da missionária americana Dorothy Stang, brutalmente assassinada em fevereiro de 2005 no Pará, trouxe à tona a violência que marca a repressão contra militantes defensores dos direitos humanos, em todo país.
Os crimes de mando ou assassinatos políticos tornaram-se comum na sociedade brasileira. Todos os anos dezenas de militantes são mortos no Brasil, e pouco tem sido feito para reverter esse quadro. A falta de atuação do Estado em resolver os conflitos, a ineficiência em oferecer segurança aos militantes ameaçados e a falta de punição, colaboram pra que os crimes políticos continuem ocorrendo no país.
Entretanto, o uso da violência como meio de repressão aos militantes não é resultado somente de um Estado incompetente. Há certa tolerância sobre a atuação violenta de pistoleiros e policiais, e uma indiferença sobre os massacres e assassinatos, por parte da sociedade. Podemos dizer que existe certa aceitação pelas resoluções violentas de conflitos, e como dizia Norbert Elias, sociólogo alemão, “uma enorme capacidade humana para esquecer coisas dolorosas, sobretudo se aconteceram a outras pessoas relativamente impotentes”.
Num contexto de violência desmesurada e, sobretudo impunidade, observa-se o envolvimento desde pistoleiros profissionais, até forças policiais, oficiais de Justiça e juízes. Nessa configuração a impunidade dos criminosos é constantemente reafirmada
A morte de Dorothy não foi um fato isolado e único, crimes idênticos continuam acontecendo, sobretudo na região norte do país. Permitir que, ainda hoje militantes defensores de direitos expressos na constituição, sejam vitimas de violência e covardemente assassinados, atenta gravemente contra os mais elementares direitos, liberdades e garantias. Segundo Natalia Viana, autora do livro “Plantados no chão – Assassinatos Políticos no Brasil Hoje”, “um assassinato político é um crime contra a democracia, é um crime contra o debate de idéias”.
A cada militante morto é mais uma luta pelos direitos que enfraquece ou, simplesmente deixa de existir.
O ser humano tem o monopólio da ciência e tecnologia. Modificou a topografia, geologia, clima e a existência de todos os outros seres vivos do planeta Terra. Sem discutir nesse momento as diferenças entre os grupos humanos na aquisição e fruição das informações e sim considerando humanos e não humanos como seres contrapostos, essa contraposição é o núcleo de crítica desse texto que abordará sumariamente acerca da ética, relação de dominação e antropocentrismo.
O que entendemos por ética e como a aplicamos? É no bojo dessa discussão que podemos visualizar o lastro da dominação a ser questionada e combatida.
Ainda que sem a profundidade de comparações filosóficas, sabemos que a Ética nos serve para delimitarmos o comportamento social e individual, contrastando o que seria bem e mal, elencando as condutas mais comuns e importantes e elegendo as que nos permitem manter o convívio em equilíbrio.
Na História contemporânea podemos observar a luta contra as discriminações de ordem étnica e de gêneros. Combatemos os preconceitos sobre a essência do outro, ou seja, é impensável admitir o racismo, ou o sexismo como razoáveis pois eles são, conforme nossa construção ética atual, exemplos de diferenciação que visa à dominação de grupos. Tais grupos, na ética da discriminação negativa, são desvalorizados e, assim, facilmente dominados, manipulados.
Felizmente a humanidade já tem condições de questionar as discriminações negativas – que se contrapõem às discriminações positivas, que visam à equalização entre grupos diferentes garantindo-lhes a fruição de direitos, exemplo das quotas em concursos e vestibulares para portadores de necessidades especiais e afrodescendentes.
O ser humano, entretanto, quando considerado em relação às outras formas de vida, se coloca em outro status de obrigações e direitos. A relação do Homem com a Natureza baseia-se no antropocentrismo. O homem está no centro da vida e todos os outros seres são mantidos ou respeitados conforme a utilidade para a manutenção da vida humana.
Em relação aos animais, por exemplo, o ser humano se mantém como senhor, proprietário e usufrutuário de suas energias, beleza, afeto e vida. Os animais são a base da nossa vida confortável, mas nada ou quase nada recebem em troca. Os animais de estimação são tratados “como se fossem da família”. Mas paralelamente ao sustento desses seres que, também são privados de sua vida mais natural, outros seres animais são sacrificados depois de sofrerem crueldades: consumo da carne e derivados, testes laboratoriais, divertimentos cruéis como rodeios, touradas e vaquejadas, circos, uso de animais para tração e transporte e a manutenção de animais em convívio com o homem. Esse comportamento tem um nome: ESPECISMO.
Da mesma forma que o racismo, o machismo e a discriminação econômico social servem à uma determinada classe humana, representada pela figura masculina e anglo saxã, o especismo serve à humanidade para sua existência. Uma existência fulcrada sempre na exploração, na mercantilização da vida. Há uma escala de dominação onde homens e mulheres são dominados por homens mais poderosos e os animais o são por todos os seres humanos.
Quanto ao meio ambiente, a exploração desmesurada dos recursos naturais (notem que o termo “recurso” provém da economia) nos promete um futuro sem muitos horizontes pois as alterações antrópicas no meio natural já resultam, se não em catástrofes ambientais, em diminuição da fruição dos elementos naturais como a água, que será um dos mais escassos e o solo, que resulta a cada dia mais pobre e erodido.
A “domesticação” de seres livres, sejam eles humanos ou não, serve apenas para nos manter escravos de necessidades forjadas. O domínio da natureza pela tecnologia, relembrando a idéia de Francis Bacon, de “que a ciência é poder”, que o crescimento do saber só fez aumentar a possibilidade do homem de dominar a natureza e os outros homens1, acaso resolveu os reais problemas da existência humana?
A tecnologia é boa e desejável. Nos casos onde ela é oferecida democraticamente, melhora em muito a qualidade de vida da humanidade, exemplo das vacinas contra poliomelite e varíola. E por esses dois exemplos depreendemos que o problema da tecnologia são os propósitos da sua criação. Devemos aprimorar nossa ética, tornando-a abrangente a todas as formas de vida, logo, adotando a ética biocêntrica.
Enquanto o ser humano não buscar a libertação, questionando suas relações afetivas com outros semelhantes e com os não humanos, viverá em busca de uma solução ilusória para as várias desigualdades. Ou seja, nossos desejos, medos, desafetos ou carências precisam de uma solução sem mais exploração da vida e do afeto que os animais nos proporcionam, precisamos nos resolver conosco.
A vida estabelecida atrás de muralhas não flui. É como o represamento de águas límpidas que alimentariam vastos campos. As águas represadas atrás das muralhas se tornam pestilentas, tal qual nosso modelo atual de existência humana.
1 BOBBIO, Norberto. A Era dos Direitos. Editora Elsevier/ Campus, Rio de Janeiro; 2004: pág. 229.
Neste mês de maio, completa 40 anos de um ano que entrou para a História Mundial. Em 1968, movimentos sociais, artísticos e culturais em geral abriram fogo, ou melhor: pedras e molotov contra a opressão de vários governos. A muvuca começou na França, com os estudantes exigindo o fim da burocracia nas universidades e mais liberdade sexual (que estudantes do mesmo sexo pudessem dividir os quartos acadêmicos). Logo, os estudantes ganharam o apoio dos trabalhadores, que chegaram a entrar em greve com 2/3 da categoria cruzando os braços por melhores salários. Nos EUA a resistência contra o racismo e contra a guerra também levava inúmeros movimentos para as ruas.
A “subversão” que precisava ser contida, e que aos olhos dos militares no Brasil também era influência dos “comunistas”, pressionou o Estado a ponto deste refletir sobre sua estratégia de governo e chegar na conclusão de que o AI-5 era a melhor solução, ou seja, a “linha dura” para conter os movimentos sociais e combater o mal vermelho. Cultura e arte então, não apenas se relacionam entre si, mas surgem como faces, imagens da luta política travada pela disputa por liberdade dos trabalhadores, juventude, artistas, mulheres, intelectuais, e de outro lado aqueles que acreditavam que o futuro residia no modelo econômico da ditadura do capital, que por sua vez usava as armas para se manter. No Mundo e no Brasil, a arte e a cultura cumprem papel determinante na resistência dos movimento de maio de 68.
Na literatura, foram apreendidas no Brasil obras como A História Nova do Brasil, coordenada por Nelson Werneck Sodré, a coleção Cadernos Do Povo Brasileiro, e outras. Mesmo assim, obras como O Ato e o Fato de Carlos Heitor Cony, que traziam críticas e sátiras sobre o período, tiveram grande vendagem. No teatro, o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), tinha com grande expressão as peças Arena Conta Zumbi, Arena conta Tiradentes, e Liberdade, liberdade. Glauber Rocha chamou o Cinema Novo de “uma câmera no ombro e uma idéia na cabeça”, e quem ainda não viu Deus e o Diabo na Terra do Sol? Tá no youtube.
Mas porque, e cabe mesmo perguntar, grande parte da mídia boicota este aniversário? Talvez, e dizemos talvez porque aqui não temos a pretensão de ser os donos da verdade, mas talvez mesmo, pode ser por conta da própria atualidade de 68. 2008 não foi o ano em que Martin Luther King morreu, mas atualmente a corte estadunidense mantém preso e condenado à morte um jornalista negro chamado Mumia Abul Jamal que já provou sua inocência na década de 90. Porque? Não seria atual a luta contra o racismo? E a guerra? O Vietnã acabou. Mas e o Iraque? E o genocídio cometido pelo governo dos EUA pelo controle do petróleo? Tantas questões…
Quem nos dera ter os Mutantes para cantar neste momento É proibido proibir, e também os Beatles para lançar Revolution. Mas acontece que hoje, lutamos basicamente por muitas coisas parecidas, então pra que comemorar um passado que se quer esquecer? Acontece, que maio foi uma fogueira acesa, que com anos queimou brasa, e hoje podemos sentir suas cinzas no ar. Mas as mesmas cinzas trazem um vento quente, que dá indícios de fogo, que a grande mídia não quer dizer que existe.
