O caso da missionária americana Dorothy Stang, brutalmente assassinada em fevereiro de 2005 no Pará, trouxe à tona a violência que marca a repressão contra militantes defensores dos direitos humanos, em todo país.
Os crimes de mando ou assassinatos políticos tornaram-se comum na sociedade brasileira. Todos os anos dezenas de militantes são mortos no Brasil, e pouco tem sido feito para reverter esse quadro. A falta de atuação do Estado em resolver os conflitos, a ineficiência em oferecer segurança aos militantes ameaçados e a falta de punição, colaboram pra que os crimes políticos continuem ocorrendo no país.
Entretanto, o uso da violência como meio de repressão aos militantes não é resultado somente de um Estado incompetente. Há certa tolerância sobre a atuação violenta de pistoleiros e policiais, e uma indiferença sobre os massacres e assassinatos, por parte da sociedade. Podemos dizer que existe certa aceitação pelas resoluções violentas de conflitos, e como dizia Norbert Elias, sociólogo alemão, “uma enorme capacidade humana para esquecer coisas dolorosas, sobretudo se aconteceram a outras pessoas relativamente impotentes”.
Num contexto de violência desmesurada e, sobretudo impunidade, observa-se o envolvimento desde pistoleiros profissionais, até forças policiais, oficiais de Justiça e juízes. Nessa configuração a impunidade dos criminosos é constantemente reafirmada
A morte de Dorothy não foi um fato isolado e único, crimes idênticos continuam acontecendo, sobretudo na região norte do país. Permitir que, ainda hoje militantes defensores de direitos expressos na constituição, sejam vitimas de violência e covardemente assassinados, atenta gravemente contra os mais elementares direitos, liberdades e garantias. Segundo Natalia Viana, autora do livro “Plantados no chão – Assassinatos Políticos no Brasil Hoje”, “um assassinato político é um crime contra a democracia, é um crime contra o debate de idéias”.
A cada militante morto é mais uma luta pelos direitos que enfraquece ou, simplesmente deixa de existir.
17 17UTC Junho 17UTC 2008 at 01:12
E o pior não é isso. Mas com a matança, corremos o risco de voltar no tempo como na revolução russa quando o stálin mandou matar os marxistas, e ficarmos um bom tempo sem quadros políticos. Claro que estamos longe disto, mas sempre é bom lembrar que isso é o cúmulo. E parabéns pelo texto, muito bom mesmo.
17 17UTC Junho 17UTC 2008 at 20:46
justamente. concordo plenamente em número, gênero e grau
25 25UTC Junho 25UTC 2008 at 13:50
Em havendo a ineficácia do Estado de Direito insurgiu o Estado paralelo. Quando o Capital formou o “ser” brasileiro individual, baniu-se a coletividade, em existindo a união dos coletivizados poderíamos pensar em Revolução, Como não há, vislumbro a dessiminação dos mais “fracos” (que sabemos são fortes), e a perpetuação dos mais “fortes” (que sabemos são os fracos)