Passados os anos da ditadura militar, a mídia alternativa até pode dar uma respirada. Obviamente, aqueles anos de “chumbo” e “grosso”, afogavam o escoamento da informação para a sociedade através dos seus quase conhecidos métodos. Digo quase porque nem todo mundo faz idéia do que acontecia, e mesmo do que se conhece, ainda há muita gente a saber do que houve. Muitos jornalistas foram assassinados, jornais fechados, reportagens marcadas com um grande e negro “X”. A ditadura militar realmente cassou a liberdade de expressão e isto é um ponto final. Será?

Hoje, teoricamente se pode criar um veículo de informação da noite para o dia e apresentar com a periodicidade que se quiser, matérias, reportagens, artigos e idéias como bem se entender. A Internet nos facilita muito nisto. Mas também poderíamos fazer de outras formas: impressa, de boca em boca ou até mesmo em forma de rádio e tv. Mas sabemos que não é tão simples assim. Criar uma rádio pirata é pedir para ter dor de cabeça com a agência nacional de fiscalização do rádio (não que eu defenda que não deva haver rádios piratas – pelo contrário), montar uma tv nem se fale então. Sobra a internet como forma rápida e mais livre.

Parece muito óbvia a simplicidade em se formar meios alternativos de informação. Mas peço licença para rebater esta obviedade simplista e acomodadora com uma questão: esta mídia vai sobreviver do que cara pálida??? É preciso recursos para manter um jornal, ainda que seja em formato blog. No geral, muitos veículos começam como nós do Observatório do Mundo Hoje, que junta a força produtiva de várias pessoas que doam um tanto do seu tempo para compartilhar visões diferentes de mundo das estabelecidas pela grande mídia. Mas isto apenas não basta. Nós mesmos sabemos que nosso blog é simples demais para ser um veículo que as pessoas possam acessar diariamente para manterem-se informadas. Sabemos que somos pequenos, apesar da importância que sabemos também ter. E é neste sentido que escrevo este texto. O de dizer que tem Mídia Alternativa grande e boa precisando de ajuda.

Já faz mais de um ano, eu tive a oportunidade de esbarrar em um site chamado Fazendo Média (www.fazendomedia.com) e conferi ser o mesmo o site de um jornal muito bem elaborado, e alternativo. Não conheço as pessoas que escrevem para o Fazendo Média, e nem estou recebendo um por fora para escrever este artigo. Mas penso comigo: como podemos ter um veículo forte independente e alternativo se não lutarmos pelo seu sustento? Digo isto porque recentemente vi no Agência Carta Maior um chamado para contribuir para permanência do Fazendo Média realizando assinatura do jornal impresso.

Oras, se queremos ter as opções de acesso à informação de qualidade, precisamos minimamente nos esforçar também para o surgimento das mesmas. Não estamos mais sob a mira dos fuzis militares, mas em contrapartida, a mídia alternativa pode morrer por falta de recursos. É com este intuito, o de dizer que é justo manter o Fazendo Média, que escrevo este texto perguntando a nós mesmos: qual a medida do nosso esforço pela liberdade e pluralidade da informação na mídia hoje?

Não adianta apenas dizermos que os jornalistas que estão se formando hoje só querem saber de ter um carrão e trabalhar num jornal intencionado alienando a população se também não entendermos que estes mesmos jornalistas não encontram jornais independentes e alternativos que possam ajudá-los a pagar o seu aluguel, a prestação da sua geladeira, o colégio do filho mais novo, a faculdade do filho mais velho e também aquela cerveja do fim de semana que é tão importante para mantermos a nossa brasilidade forjada. Claro, um estudante que sai da faculdade querendo deixar as pessoas mais burras, tem lá seu grau de alienação, mas e o campo de trabalho? Reclamamos, reclamamos, reclamamos mas lavamos nossas mãos. E mesmo assim, tem jornalistas, como os do Fazendo Média, que estão lá: pensando e produzindo conhecimento sem ônus para quem lê. E eu confesso, me sinto as vezes envergonhado em ter acesso a tanta informação boa e nem sempre estar contribuindo para que o cara que escreveu a mesma informação possa continuar vivendo de sua escrita.

Leia o Fazendo Media, assine, divulgue, contribua para a Mídia Alternativa e Independente.


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