Hoje (02/07/2008), o Financial Times publicou uma matéria chamada “Migrantes venezuelanos procuram uma vida estável na Colômbia”. A Jornalista Anastasia Moloney descreveu uma pretensa onda de migração dos venezuelanos que estariam indo morar na Colômbia em busca de uma vida melhor. Mas a questão colocada pelo FT não é tão simples assim. Há de fato uma onda de pessoas saindo da Venezuela, e acerta o jornal quando diz que o motivo é político. Mas centralmente o que está colocado é o enfrentamento de Hugo Chavez para com a própria burguesia local. A grande maioria das pessoas que tem saído da Venezuela para a Colômbia, estão indo para formar “negócios”. São as classes média e alta que estão incomodadas com o governo, e sentem-se achatadas pois não conseguem mais lucrar como antigamente. Para além disto, grande parte da burguesia que ocupava os cargos do Estado, como por exemplo cargos comissionados da PDVSA, hoje já não podem mais usufruir da mamata. Não que eu seja um chavista de carteirinha, mas o senhor Bolívar de fato fez uma limpa (ainda que não totalmente) no aparelho do Estado.
Essa burguesia na Venezuela costuma fazer um barulho peculiar mesmo. Não quero pecar pelo excesso em sátira, mas me lembro do documentário “A revolução não será televisionada” que mostrava as mobilizações contra Chávez. Era incrível ver uma quantidade enorme de pessoas indo participar das passeatas com os seus carros importados e gritando “out, out” em inglês ou invés de mandar o Chávez embora em espanhol. Parece irônico. Mas no documentário fica claro o sinismo burguês, que afirmava estar no poder mesmo quando já não estava mais. Hugo Chávez tem muito o que fazer, e peca muito também. Um exemplo? O Mercosul. Mas é preciso entender que existe um esforço internacional para desestabilizar o governo Venezuelano, e a grande mídia compactua deste esforço claramente. A matéria do Financial Times é entendível no seu propósito, mas não toca na questão do próprio povo Venezuelano, das massas trabalhadoras e dos campesinos, que pela primeira vez em décadas começam a ver a luz de empregos, salários e condições melhores de vida. Quando enxergam essa oportunidade, acabam sentindo a pressão de uma burguesia mimada que não quer dividir o seu lucro, e faz bico dizendo que vai embora.
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